Sábado, 29 de Abril de 2006

A vida...

Sabes princesa... a vida é feita de muitas desilusões...
 
O nosso maior problema é a desilusão causada pelo amor...
 
Ah!! O amor, que deveria ser sempre a coisa mais linda do mundo...
 
Às vezes causa-nos uma dor, que jamais esqueceremos...
Mas quando é correspondido faz-nos delirar de prazer, felicidade e emoção...
 
Deveria ser sempre assim...mas não mandamos no coração, ele é o dono dos sentimentos e comanda a nossa vida, no que se diz respeito ao amor.
 
Teremos que aceitar suas ordens e desejos, vivendo desilusões e felicidades, ele é quem sabe....
 
sinto-me:

publicado por miguel_sousa às 20:33
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Quinta-feira, 27 de Abril de 2006

Je, moi mêmê...

Para todos aqueles que visitam este blog, aqui fica uma foto do seu autor. Foi tirada em Sevilha, durante a passagem de ano de 2005. Foram três dias espectaculares, que passei junto do meu amor...da minha princesa. Já não vejo a hora de estar novamente de férias...

sinto-me:

publicado por miguel_sousa às 21:59
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Vale a pena amar...

 
 
 
Sempre me perguntei
Se valia a pena amar
Pois, até então
Não havia encontrado
O Amor que havia sonhado
 
Passaram mil “flertes”
Passaram várias paixões
Passaram poucos amores
Mas nenhum me tocou
E nada ficou
 
Encontrei-te a ti
Sentimentos diferentes
De tudo que havia passado
O amor brotou
Tudo mudou
 
Tu mudaste a minha vida
Tu mudaste o meu ser
Tu mudaste a minha alma
Com toda a emoção
Tomaste o meu coração
 
Hoje percebo
Com esse amor que bate no meu peito
Que nunca havia amado
Vale a pena esperar
Vale a pena acreditar
Vale a pena AMAR
 
 
 
 
sinto-me:
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publicado por miguel_sousa às 21:51
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Quando me amei de verdade...

 
Quando me amei de verdade pude compreender
que em qualquer circunstancia, eu estava no
lugar certo, na hora certa. Então pude relaxar.
 
Quando me amei de verdade pude perceber que
o sofrimento emocional é sinal de que estou indo
contra a minha vontade.
 
Quando me amei de verdade parei de desejar
que a minha vida fosse diferente e comecei a ver
que tudo o que me acontece
contribui para o meu crescimento.
 
Quando me amei de verdade comecei a
perceber como é ofensivo tentar e forçar alguma
coisa ou alguém que ainda não está preparado
…inclusive eu mesmo.
 
Quando me amei de verdade comecei a livrar-me
de tudo o que não fosse saudável…
…pessoas, tarefas, crenças e
qualquer coisa que me pusesse para baixo.
A minha razão chamou isso de egoísmo.
Mas hoje eu sei que é amor próprio.
 
Quando me amei de verdade deixei de temer
o meu tempo livre e deixei de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom…
 
 
Quando me amei de verdade desisti
de querer ter sempre razão,
e com isso errei muito menos vezes.
 
Quando me amei de verdade desisti de ficar
revivendo o passado e de me preocupar
com o futuro. Isso faz com que me mantenha
no presente, que é onde a vida acontece.
 
Quando me amei de verdade percebi que a
minha mente me pode atormentar e decepcionar.
Mas quando eu a coloco ao serviço do meu coração,
Ela torna-se numa grande e valiosa aliada.
 
Quando me amei de verdade,
Finalmente ai tive tempo e vontade
Para amar alguém… e esse alguém
és tu princesa…obrigado por me ensinares
a amar…a mim e a ti!!!  
 
 
 
 
 
sinto-me:

publicado por miguel_sousa às 21:28
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O sentido do amor...

Há amores levianos…
Há amores caprichosos, firmes como rochas…
Há amores obscuros, leves e puros…
Há amores efémeros, essenciais…
Há amores arrogantes, normais…
Há amores pervertidos, arrasados…
Há amores que seguem a regra dos nossos antepassados.
Há amores altruístas, sinceros mesmo…
Há amores fortes, profundos, que chegam a ser excêntricos…
e esses sim, devem ser desejados.
São amores incurados, rasgados pela imaginação,
São amores que fazem pulsar o coração…
São esses amores que o seu beijo nos enlouquece,
São ferventes e repetitivos,
São inegavelmente amores prostituídos,
São amores invisíveis a quem não os sente,
São amores evasivos…
Decididamente essa coisa muito louca que nós sentimos.
Infelizmente um amor que não devemos aparentemente sentir,
mas que poderíamos desejá-lo para sempre…
 
 
 
 
sinto-me:

publicado por miguel_sousa às 20:25
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O Amor maduro...

 
O amor maduro não é menor em intensidade. Ele é apenas quase silencioso. Não é menor em extensão. É mais definido, colorido e poetizado. Não carece de demonstrações…presenteia com a verdade do sentimento. Não precisa de presenças exigidas…amplia-se com as ausências significantes.
O amor maduro somente aceita viver os problemas da felicidade. Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem e o prazer. Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.
O amor maduro cresce na verdade e esconde-se a cada auto-ilusão. Contenta-se com o todo do pouco. Não precisa nem quer nada do muito. Está relacionado com a vida e a sua incompletude, por isso é pleno em cada futilidade por ele transformada em paraíso. É feito de compreensão, musica e mistério. É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança. O amor maduro não disputa, não cobra, pouco pergunta, menos quer saber. Teme, sim. Porém, não faz do temor argumento. Contenta-se com a própria existência. Alimenta-se do instante presente valorizado e importante porque é redentor de todos os equívocos do passado. O amor maduro é a regeneração de cada erro do passado. Ele é filho da capacidade de crer e continuar, é o sentimento que se manteve mais forte depois de todas as ameaças, guerras ou inundações existenciais com epidemias de ciúme.
O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa. Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois. Vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes. Ele não pede, tem. Não reivindica, consegue. Não persegue, recebe. Não exige, dá. Não pergunta, adivinha. Existe para fazer feliz. Só teme o que cansa, machuca ou desgasta.
O amor maduro é assim…diferente…mais maduro.
 
sinto-me:

publicado por miguel_sousa às 20:23
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Quinta-feira, 20 de Abril de 2006

Quem és tu?

Quem és tu
que não sai de dentro de mim?
Que está em todos os meus sonhos
em todos os meus desejos
puros e impuros?
 
Quem és tu?
Que tomaste conta da minha alma,
Cercaste meu coração,
E vives em todos os meus pensamentos,
Satisfazes os meus desejos,
e me embriagas com o teu cheiro…?
 
Quem és tu?
Quem te deu as chaves para entrares
E me dominares tão docemente?
Não sinto outro gosto
que o dos teus beijos.
Não vejo outro brilho
que o dos teus olhos…
 
Na verdade, quem és tu
que me faz amar assim
tão louca e docemente?
Algo me faz acreditar
que tu és a minha vida,
És o meu amor…
 
 
sinto-me:

publicado por miguel_sousa às 21:18
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Enquanto dormes...

 

 

Enquanto tu dormes, observo o teu rosto

e percorro, sem tocá-lo, os finos traços,
desenhando no ar as linhas do teu corpo
E penso quão injusta é a minha covardia diurna
por sentir as coisas que não falo
e dizer tantas coisas que não sinto
Mas aqui, diante do silêncio nocturno,
quebro facilmente o meu silêncio
e sussurro as palavras que às claras não digo
E tu escutas, eu sei
pois os teus olhos comovem-se,
mesmo cerrados se movem
e pode-se perceber nos teus lábios
um certo esboço de um sorriso
precedendo a calma de um sono ainda mais profundo
 
 
 Enquanto dormes, faço-te promessas
Aceitando ideias e planos teus
que embora finja ignorar
também são meus
E digo todos os sim's " que o tempo permite
e concordo com tudo que sem motivo declino
recordando cada palavra ouvida
na minha fria surdez dissimulada
 
 
Enquanto dormes, espero que o dia chegue
deixando a essa forma o mesmo sentido
Mas a luz que vem da janela
adormece-me
e tudo se esvai...
E só resta a angústia da dúvida
de não saber o que é real
se essa emoção lúcida que me traz a noite
ou as coisas que só vejo quando os meus olhos se fecham...
 
......para ti princesa!!!
 
 
 
 
 
sinto-me:

publicado por miguel_sousa às 17:49
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Quarta-feira, 19 de Abril de 2006

Francisco Adam

Antes de mais gostaria de dar os meus sentimentos à família do Francisco Adam . devem estar a atravessar um momento difícil . Pensei muito antes de escrever estas palavras neste Blog, sobre Francisco Adam , jovem actor da série exibida pela TVI, Morangos com Açúcar , falecido num brutal acidente de viação, na madrugada do passado Domingo. É sempre triste quando alguém morre, e ainda por cima quando ainda é um jovem, como era o caso do Francisco (22 anos). Mas mais triste ainda, foi o que a TVI, canal de Televisão que exibe a série da qual fazia parte o malogrado actor, optou por fazer. Talvez na sequência do reality show, actualmente em exibição, O Circo das Celebridades, tentou fazer com a morte do Francisco um autêntico circo. Câmaras e mais câmaras, repórteres e mais repórteres , microfones e mais microfones, enfim, uma parafernália de meios técnicos e humanos para cobrir um acontecimento, que quanto a mim não justificava todo aquele aparato. O Director Geral da TVI, José Eduardo Moniz, tentou fazer do funeral do Francisco Adam , quase que um funeral de Chefe de Estado. Devia ter em consideração o que a família do Francisco está a passar. Acredito que queriam tudo menos ver aquele autêntico circo que foi montado, quer na Igreja quer no cemitério. Não era necessário Sr. José Eduardo Moniz!!!
sinto-me:

publicado por miguel_sousa às 21:23
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O amor e a paixão

Estou no meu local de trabalho, mas não vejo a hora de chegar a casa e puder abraçar a minha princesa... estou cheio de saudades dela... cada dia que passa o meu amor é maior
O amor e a Paixão...
 
 
Às vezes iludidos pelos enganos do coração fazemos loucuras pensando que é amor, mas no fundo é paixão...
 
O amor é sofredor, a paixão faz sofrer...
O amor é paciente, a paixão precipitada...
O amor é amável, a paixão apavorada...
O amor nasce, cresce e se fortalece com o tempo, a paixão surge no primeiro olhar...
O amor cativa aos poucos com respeito, a paixão arromba e invade o peito...
O amor é o bálsamo que alivia a dor, a paixão um ácido que causa horror...
O amor é brisa suave, a paixão tempestade...
O amor acalma o coração, a paixão escraviza a alma...
O amor não tem dúvidas, a paixão é confusão...
O amor é benção, a paixão maldição...
O amor é valente, a paixão covarde...
O amor olha nos olhos a paixão olha no chão...
O amor liberta, a paixão escraviza...
O amor consola, a paixão crucifica...
O amor entende um simples olhar, a paixão não compreende um veemente discurso...
O amor simplifica, a paixão complica...
O amor é forte, resiste ao tempo, a paixão é fraca, vive só um momento...
O amor é tudo, a paixão é nada...
O amor é primavera, a paixão Inverno...
O amor é céu, a paixão inferno...
O amor é simples, a paixão complicada...
O amor entende os defeitos e permanece vivo, a paixão somente as qualidades, pois vive de vaidades...
O amor trás alegria, à paixão só faz sofrer...
O amor é a grande resposta, a paixão uma dantesca interrogação...
O amor é bússola que indica o caminho, a paixão estrada perdida da perdição...
O amor deixa-nos tranquilos, a paixão em eterna confusão...
O amor é luz, a paixão escuridão...
 
Às vezes seduzidos pela paixão, somos incapazes de perceber as coisas boas que temos conosco e vamos longe atrás de miragens de falsos tesouros, que encantam os olhos e entristece o coração, por isso prefiro morrer de amor a viver de paixão...
O amor é o que sinto por ti princesa, a paixão foi o que já senti antes…
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publicado por miguel_sousa às 21:09
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Vitor Baia 3º Guarda Redes?

Estranhamente, o presidente da FIFA, Sr. Josef Blater , veio a público dizer que haviam fortes pressões junto da FPF , para que o Guarda Redes Internacional Português, Vitor Baia, fosse convocado como terceiro guarda redes da Selecção Nacional. O FC Porto já pediu explicações sobre as declarações do presidente da FIFA. O mesmo foi feito pelo presidente da FPF , Sr. Gilberto Madail . Sinceramente, e pese embora o facto de acreditar ser possível, que essas mesmas pressões por parte de alguns dirigentes do FC Porto, existam, não estou a ver o excelente guarda redes que é Vitor Baia, sujeitar-se a uma situação destas. É, actualmente, o jogador com mais títulos conquistados, com uma carreira invejável, e com um estatuto que não se coaduna com uma situação destas. Por opção técnica do Seleccionador Nacional, Sr. Filipe Scolari , até agora não fez parte dos seleccionáveis . Acredito que Scolari , se irá manter firme em relação às suas convicções, e não se deixará levar por pressões, venham elas de onde vierem, para convocar este ou aquele jogador. Mas o mais estranho de tudo é ter sido o presidente do maior organismo que controla o futebol vir a público com estas declarações, e em vésperas de sair a convocatória para o mundial 2006. mal vai o nosso futebol. Pela positiva à a realçar o facto de o árbitro português, Lucílio baptista, ter sido convidado para apitar a final da taça da Ucrânia. Numa altura em que nunca houve tantas queixas no campeonato nacional contra as arbitragens, vindas de todos os lados, não deixa de ser curioso.

sinto-me:

publicado por miguel_sousa às 20:40
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Segunda-feira, 17 de Abril de 2006

Para a minha princesa

Desde à um ano e meio a esta parte, a minha vida mudou totalmente... Apareceu alguém na minha vida que fez de mim um homem diferente. Sem perceber como nem porquê, quando dei por mim estava apaixonado. Cada dia que passa, aquilo que sinto aumenta...e já não é só paixão...é também amor...muito amor

Medo
 
 
Eu amo-te tanto que tenho medo.
Medo do tamanho deste sentimento.
Medo de te perder.
Medo da profundidade do meu envolvimento.
Medo da nossa relação morrer.
 
Não sinto insegurança, eu nem sei dizer.
Não é falta de confiança..
Tu tens sido o meu porto seguro…
O que sinto traduz-se num medo...
Medo, de te deixar de ter.
 
Talvez seja um mal de quem tem muito amor.
Ou quem sabe um pressentimento ruim.
Meu medo é o medo da dor,
medo do fim.
 
Mas não quero mais pensar em sofrer…
Não vou deixar de te amar e nem de me envolver.
 
Meu medo é razão de muito amar.
Medo de quem muito se dá.
Mas, se para te amar eu preciso temer,
serei medroso até morrer.
 
 
sinto-me:
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publicado por miguel_sousa às 13:36
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Para ti avô

Este poema é dedicado a alguém muito especial para mim, mas que infelizmente já não está no mundo dos vivos. Foi com ele que aprendi muito do que sei hoje, e foi ele que fez de mim a pessoa que sou. Onde quer que estejas, avô, nunca te esquecerei...tenho saudades tuas.

Relato de uma vivência…
 
 
Estava sentado em frente da casa, nos degraus de madeira da escada antiga.
 
Era idoso, entre os 70 e 80 anos, e tinha o olhar fixo num ponto qualquer da rua em frente, com árvores enormes, rigorosamente alinhadas de ambos os lados.
Não havia carros na rua, e o olhar triste do homem idoso lá continuava parado, absorto nos seus pensamentos, nas suas recordações, decerto do tempo que passara tão depressa, nas mudanças que aconteciam tão inesperadas e imprevistas.
A boina não cobria totalmente os cabelos brancos e curtos, nem a face magra marcada pela vida obviamente de camponês.
Mãos calejadas e braços secos do duro trabalho do campo.
O seu aspecto, embora sombrio era benevolente, embora triste era gentil, embora parado era nobre.
 
Via-o ali com frequência e nem sabia se seria ou não de cá, mas o aspecto não enganava, como não enganavam as roupas, como não enganava a boina.
Decidi falar-lhe naquela tarde.
 
Parei em frente da porta da cerca de madeira, que circundava o espaço, onde a relva verde crescia. Estava cortada e limpa entre as escadas onde o homem se sentava e o passeio de cimento do outro lado da cerca.
 
"Boa tarde senhor", disse-lhe;
 
O levantar do rosto quase antes de acabar a frase, reflectiu um brilho repentino, que num instante deu vida aos olhos.
 
Um sorriso cansado que naquele momento, alegrou seu rosto de sulcos profundos, que marcavam a passagem inexorável do tempo, tornavam desnecessária a pergunta que iria seguir-se, mas que, mesmo assim perguntei:
 
- O senhor é daqui?
 
Respondeu negativamente, e na sua voz notava-se a alegria de ter alguém com quem falar, de preencher a tarde vazia e interminável e FALAR. Arrancar a mordaça que a vida lhe implantara, ainda que por instantes.
 
Perguntei se estava bem, se gostava de estar ali.
 
Disse que sim, que estava bem, o problema era estar só, seu filho e nora estavam no trabalho, seus netos na escola e ele ali, estava sozinho, sem nada que fazer o dia inteiro, sem ter com quem falar.
 
Tive pena do homem e decidi ficar a fazer-lhe companhia e a conversar da vida, da sua, e sentir ao mesmo tempo, o drama de quem é arrancado ás suas raízes já na curva descendente da vida, quando a esperança de construir mais coisas já não existe, quando o sentimento de sentir o mundo a girar em seu redor já se perdeu, quando o fim já se torna bem visível no horizonte e não há forma possível de o transformar ou alterar a sua direcção.
 
Perguntei-lhe se lembrava da terra, se ainda lá tinha família ou amigos, se pensava voltar...que tinha deixado na sua aldeia que mais se lembrava.
 
Respondeu que família não tinha, sua companheira já partira havia 4 anos, seus amigos quase todos também...mas que gostaria de voltar, tinha umas saudades imensas de sua horta...e ao falar na horta, os seus olhos brilharam mais, com uma lágrima que se soltou enquanto a voz ficou por momentos presa em palavras que não saíam.
 
Ficou calado por momentos, vergado pelo peso da emoção que não conseguia esconder, pela lágrima que teimava em não sumir de seus olhos.
 
Senti o seu drama com ele, naquela lágrima furtiva, naquele olhar iluminado pela lembrança, mas ao mesmo tempo toldado pela saudade da terra, sua companheira e sua mãe, seu mundo e sua missão, sua raiz e sua referência.
 
Disse-me que tinha a horta mais bem cuidada das redondezas, nem uma erva, nem uma pedra se via na terra sempre limpa. Laranjeiras e pessegueiros, pereiras e macieiras sempre davam os melhores frutos de entre todas as da redondeza.
 
Falava entusiasmado do milho e do feijão, do tomate e das couves, como se cada palavra que dizia fosse mais uma semente que plantasse, mais uma alface que colhesse. Vivia as palavras, alternando nelas a alegria e a tristeza que a lembranças traziam em cada frase e em cada gesto que fazia.
 
Falou...falou...soltou na minha presença os seus pensamentos acumulados, as suas angústias e desejos, as suas lembranças e pesadelos.
 
Falou-me horrorizado do mato e das silvas que decerto já tomaram conta da terra, da horta sempre tão bem cuidada, do poço que também devia estar cheio de silvas, das árvores que se calhar nunca mais haviam sido podadas e cavadas.
 
Havia amargura e desespero na sua voz, carinho e inquietação, como se a horta fosse o seu ente mais querido neste mundo.
 
Fiquei a olhar, a escutar, e a sentir o drama deste homem simples que se contentava com tão pouco na vida. Senti a sua tristeza mas também a sua energia.
 
Fiquei fascinado e maravilhado pela imagem deste homem, que em plena sociedade de consumo, de conforto e de vida fácil, continuava fiel e inalterado na sua essência e nas suas referências.
 
Também minha voz ficou presa na garganta...em palavras de conforto que nunca dariam a este homem o conforto que precisava...
 
Vislumbrei também com clareza um drama e um dilema, que todos os dias se repete por quem um dia partiu carregado de sonhos, mas sem a noção do impacto que esse passo viria a ter um dia na sua vida e caminhada e na dos outros à sua volta, do efeito e das consequências. Um drama que todos os dias se repete em todo o mundo, num movimento constante de massas, quantas vezes tragicamente e desumanamente exploradas, e fiquei feliz porque pelo menos isso o homem não sofria. Tinha conforto e carinho, atenção e respeito. Era tratado com dignidade e o cuidado que merecia, situação que nem sempre se verifica nas famílias imigrantes que trazem seus pais para junto de si. Nem todos nós cuidamos de nossos familiares como devemos...muitos deles são mal cuidados e desprezados.
 
Fiquei, não sei quanto tempo, e quando fui embora o senhor ainda tinha coisas por dizer, experiências para dividir. Pediu-me para voltar e conversar com ele. Pediu também desculpa se tinha sido maçador.
Respondi que não...que tive imenso prazer em estar ali com ele, e prometi que voltaria.
 
O tempo entretanto foi passando, mas como prometido voltei. Sempre que eu por lá passava as escadas estavam vazias.
 
Não vi mais o homem idoso...a árvore secando lentamente fora do seu habitat, mas a imagem ficou nas palavras, no olhar, na descrição carinhosa e intensa da sua horta.
Ficou também na minha mente e consciência, mais um momento da vida de alguém, que eu adoptei também e transformei num momento meu, numa imagem que decerto não quero viver.
 
Não vi mais o homem idoso, mas não o ter visto nada muda, continuam a existir por esse mundo milhares de idosos, sentados em escadas olhando a vida passar, caindo lentamente sem esperança de voltar um dia à terra que os viu nascer.
 
Triste esta vida…
 
Triste, mas real e autêntica, neste mundo de dramas escondidos, de imagens falsas, de realidades perturbadoras, que raramente vêm à superfície.
 
Não perguntei o nome do senhor...nem precisei...!
 
O seu nome é decerto o meu...o teu...o nosso!
 
 
 
* Embora este texto tenha sido imaginado, e não tenha nada a ver, lembrei-me de ti avô…tenho saudades tuas
Jamais te esquecerei, por mais tempo que viva, a forma do teu rosto, dos teus olhos, do teu sorriso. Jamais esquecerei as palavras sábias ou o carinho do teu olhar quando me vias. Jamais te esquecerei avô, porque na minha vida foste, és e serás sempre o meu avô querido que tanto amo... porque se na minha vida te não tivesse conhecido, com certeza não seria a pessoa que sou hoje, seria muito menos feliz... Amo-te para sempre avô, e espero que lá, nesse sítio para onde te levaram, continues sempre a olhar por mim, que eu vou recordando-te por aqui..."
 
Miguel Sousa
 
sinto-me:
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publicado por miguel_sousa às 09:51
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1ª Experiência

Olá a todos

Este é a minha 1ª experiência no "mundo dos blogs". Este blog servirá essencialmente para comentar assuntos da acutalidade e relatar experiências de vida. Como gosto bastante de poesia, haverá sempre espaço para poesias da minha autoria e para outras que tenham algum significado para mim. Espero que gostem

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publicado por miguel_sousa às 09:24
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